Operação Fallax tem o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal. Comando Vermelho usava o mesmo esquema de lavagem de dinheiro.
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao executivo na capital paulista. O ex-sócio do Grupo Fictor Luiz Rubini também é alvo de mandado na cidade de São Paulo
A Operação Fallax tem o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, além de crimes de estelionato e lavagem de dinheiro, que movimentou mais de R$ 500 milhões. Além do grupo Fictor, o Comando Vermelho também usava o mesmo esquema de lavagem de dinheiro e é alvo da operação.
Ao todo, estão sendo cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Até as 08h20, ao menos 13 pessoas já tinham sido presas pela PF.
Em 17 de novembro do ano passado, o Fictor anunciou a compra do Banco Master, envolvendo investidores árabes e um aporte de R$ 3 bilhões poucas horas antes do Banco Central ter anunciado a liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro.
Após a liquidação do banco, a Fictor enfrentou uma crise reputacional, resultando em resgates de cerca de R$ 2 bilhões por investidores, o que levou ao pedido de recuperação judicial das empresas Fictor Holding e Fictor Invest, pertencentes ao grupo.
Segundo a Polícia Federal as investigações da Operação Fallax começaram em 2024, após a identificação de indícios de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas.
De acordo com a PF, o grupo atuava com a cooptação de funcionários de instituições financeiras e utilizava empresas — inclusive ligadas a um grupo econômico específico — para movimentar valores e ocultar recursos de origem ilegal.
A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, com o objetivo de descapitalizar a organização criminosa. De acordo com a PF, as fraudes investigadas podem ultrapassar R$ 500 milhões.
Além disso, foram autorizadas medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas.
Segundo as investigações, a organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários de instituições financeiras inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Em seguida, os valores eram convertidos em bens de luxo e criptoativos, com o objetivo de dificultar o rastreamento.
A operação contou com o apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional. Somadas, as penas podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
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